Fazia um tempo q eu não adentrava o Cerrado em sua companhia, acho q foram poucas vezes q o fez desde q as vistas limitaram as caminhadas. Mas dessa era preciso entrecascas pra oficina que daria no Raízes, Gui tinha ido atrás dum giro de folia no Tapa Olho e sobrou eu que tinha aparecido ali como sempre meio sem avisar.
Enquanto ouvia o silêncio q dá lugar a casos e lembranças, ando pensando no senso de orientação perdido com nossa cegueira botânica. Na volta fomos por onde ainda passa aquela vereda, a ver se achávamos alguns braços de Buriti, o que em condições de coleta tem sido difícil. Mesmo sem surpresa não se evita a tristeza ao encontrar de novo pés sem vida, poucos jovens e os mais altos carregando agora marcas do fogo que alastrou. Lamenta seu Josu, mantemos o silêncio, eu manejo o facão. Fui carregando o pequeno feixe de talos, a gente se perdendo pra rir às vezes dos desvios pelas cercas.
E ali então já quase na chegada no quadro q pintou o poente, foi encarando o buritizal morto q entendi que eles tinham sido sufocados pelo açude q Reny fez pro gado beber, os mesmos Buritis q caídas as folhas agora eram apoio para os ninhos das araras q se reuniam em seus topos secos por excesso de água, água q naquela hora eu custei a ver escurecendo dona Elia pescava as piaba pro jantar.
Cumprimentei ela e segui ele calado, quem sabe a vida faz é isso, continua apesar.
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