6 abril, 2026

Criação Noturna

Divagando pelos registros, a pasta 2018 do hd externo faz lembrar das noites q não vinham com sono e eu seguia aceso no Ateliê. Começava a entender porque seu Josué preferia a solitude dos serões para criar. Mas raramente estava de fato só e quando não me acompanhavam meus fantasmas estava lá Gui, talvez o mais curioso de seus netos. Ele gostava de fotografar e eu curtia enxergar seu olhar pelas fotos, q muitas vezes saíam mais focadas q as minhas. Sempre inquieto, a gente brincava de passar o tempo até q sua avó dava por sua falta e gritava de casa: Guilheeermee, vem dormir.. já passou da hora!! Sem poder dizer nada além de boa noite, me despedia com um afago cúmplice sabendo q não era o único fugindo da cama.
6 abril, 2026

Semente

Essa semana voltei pra casa que pouco habitei esse ano; a suspensão dos dias úteis fez do isolamento antes quisto, imposto. Hoje terminei de limpar o ateliê, estou enrolando as linhas q conduzem as inquietudes para as mãos. Tenho visto a água cair como sempre mas com outros olhos. Eu nunca perdi a pressa mas perdi muitas gotas q caíram sem eu ver. Do meu conforto cerrado, fico imaginando como seria se. Notei no segundo dia, alheio a toda implicação humana de biocontrole sociopolítico geoeconômico, na fogueira molhada desde a última lua nova brotava um imenso jatobá.